Petistas Veem Onda Que Garantiu Vitória a Lula Como Reação a Mau Resultado No Primeiro Turno

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Partido dos Trabalhadores

C AIO SPECHOTO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Ao longo deste domingo (25), logo no início da apuração dos votos, petistas já contavam com a vitória de Lula (PT) e, ao menos parte deles, atribuía a virada inédita nas eleições brasileiras ao mau resultado do chefe do governo no primeiro turno.

O raciocínio é que o susto levado na primeira votação instigou no eleitorado o medo de Flávio Bolsonaro (PL), estopim das mobilizações nas ruas e nas redes a favor do agora presidente reeleito.

Nunca um candidato que ficou em segundo na primeira votação havia vencido uma eleição presidencial. O petista tinha tido 45% dos votos contra 47% de Flávio no primeiro turno. Neste domingo, foram 51,78% dos votos válidos para Lula e 48,22% para o bolsonarista.

O petista vinha crescendo nas pesquisas de intenção de voto. A maioria dos levantamentos da véspera da eleição, porém, ainda o mostravam atrás de Flávio Bolsonaro.

Na noite de sábado (24), diversos aliados do presidente relatavam ter pouca esperança, mas citavam as mobilizações como algo que poderia proporcionar uma surpresa na votação.

As manifestações, realizadas em diversas cidades do país, foram creditadas a movimentos da sociedade civil que não passavam pela campanha oficial do presidente. Situação semelhante se deu nas redes sociais: a principal movimentação foi capitaneada pelo deputado André Janones (Rede-MG), que não fazia parte do núcleo duro de Lula.

Esse temor sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro se eleger também teria sido fundamental, na avaliação de petistas, para reduzir a abstenção.

No primeiro turno, 21,08% dos eleitores não compareceram às urnas. No segundo turno, esse percentual baixou para 19,22%. Petistas mencionam o comparecimento de jovens e idosos, principalmente, como fundamentais para a virada.

As abstenções caíram em 19 estados. Lula conseguiu melhoras em sua votação mesmo em estados onde perdeu. Em São Paulo, por exemplo, o petista passou de 38,2% de votos válidos no primeiro turno para 46,15% no segundo. No Rio de Janeiro, a votação do presidente foi de 39,41% para 46,90%; e, no Paraná, de 31,20% para 37,42%.

Além disso, o chefe do governo conseguiu aumentar sua votação em regiões onde já havia sido alta no primeiro turno. Na Bahia, o percentual de Lula passou de 66,17% para 71,31%; no Ceará, de 63,29% para 68,93%; no Piauí, de 70,99% para 75,88%.

Paralelamente ao movimento espontâneo, Lula reorganizou sua campanha nos dias depois do mau resultado do primeiro turno.

O senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE) assumiu as principais tarefas de coordenação política. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ganhou influência sobre a comunicação. E o ex-ministro e senador eleito Rui Costa (PT-BA) se tornou um dos principais responsáveis pela agenda do agora candidato reeleito.

Lula também mudou sua postura em relação ao primeiro turno. O presidente havia focado o discurso de campanha inicialmente na defesa de seu atual governo. Depois do susto da primeira votação, passou a apresentar mais propostas para o futuro e a atacar mais diretamente Flávio Bolsonaro.

A campanha estimulou no eleitorado o temor sobre a possibilidade de perder benefícios sociais caso Flávio Bolsonaro fosse eleito. Também martelou em peças publicitárias o fato de o adversário ter defendido um policial apontado como responsável pela morte de uma menina de cinco anos.

Na antevéspera da votação, durante o debate da Globo, Lula ganhou pontos junto ao eleitorado ao reagir de forma enérgica depois de o adversário ter se referido a ele como “nove dedos” -Lula teve um de seus dedos decepado por uma máquina na juventude, quando trabalhava como metalúrgico.

Antes, o petista havia tomado medidas de apelo eleitoral, como o perdão de dívidas dos MEIs (microempreendedores individuais), e participado de atos políticos importantes, como a promulgação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso.

Logo após o resultado ser confirmado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Lula disse que fará um governo diferente a partir do próximo ano e fez um agradecimento especial aos jovens e aos idosos.

“Eu queria agradecer ao povo brasileiro, à generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E nesse segundo turno, agradecer à generosidade da juventude brasileira, que foi para a rua para defender a democracia”, declarou. Ele disse que nunca tinha visto tantas pessoas em tantos atos de rua no país.
“Quero agradecer às pessoas idosas. Vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas por seus netos para ir votar”, afirmou o petista. Lula também mencionou o papel de Janones nas redes sociais, para “levantar a moral de nossa tropa”.

“Essa eleição me ensinou muitas lições. Posso garantir que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, afirmou o presidente reeleito.

Sem entrar em detalhes, Moro também disse que “há questionamentos da oposição que precisam ser esclarecidos”. A manifestação do senador foi feita em uma rede social.

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