Retomada do trem de passageiros no Norte de Santa Catarina avança após 35 anos

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A possibilidade de o Norte de Santa Catarina voltar a contar com transporte ferroviário de passageiros, interrompido há 35 anos, ganhou um novo impulso com a articulação de lideranças regionais junto ao governo federal. O objetivo é incluir a ferrovia EF-485, entre Mafra e São Francisco do Sul, nos estudos oficiais de viabilidade para a reativação do serviço.

A iniciativa reúne a Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina (Amunesc), a Associação dos Municípios do Planalto Norte (Amplanorte) e a Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali), que defendem o aproveitamento da infraestrutura ferroviária já existente, atualmente utilizada apenas para o transporte de cargas.

O trecho possui cerca de 212 quilômetros de extensão e, até 1991, era utilizado por trens de passageiros, ligando municípios como São Francisco do Sul, Araquari, Joinville, Guaramirim, Jaraguá do Sul, Corupá, Campo Alegre, São Bento do Sul, Rio Negrinho e Mafra.

Mobilidade e desenvolvimento regional

Representantes das entidades estiveram em Brasília apresentando a proposta à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), à Infra S.A. e ao Fórum Parlamentar Catarinense. A reivindicação é que o corredor ferroviário seja incluído nos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), etapa considerada fundamental para avaliar a implantação do transporte de passageiros.

Segundo as lideranças regionais, a retomada do serviço beneficiaria uma população estimada em 1,6 milhão de habitantes distribuídos em 26 municípios, oferecendo uma alternativa às rodovias que enfrentam congestionamentos frequentes, especialmente nas BR-280 e BR-116.

Além de ampliar as opções de deslocamento, o projeto é visto como uma ferramenta para incentivar o turismo, fortalecer a economia regional e reduzir a emissão de poluentes, seguindo uma tendência observada em diversos países que voltaram a investir no transporte ferroviário.

Linha existente seria aproveitada

Diferentemente de outros projetos ferroviários, a proposta catarinense não prevê a construção de uma nova ferrovia. A ideia é adaptar a linha já existente para permitir a circulação de trens de passageiros em conjunto com o transporte de cargas, desde que sejam definidos critérios operacionais e contratuais que garantam a segurança e a eficiência dos dois serviços.

A própria ANTT já indicou que esse modelo exigirá estudos específicos sobre capacidade operacional, demanda e investimentos necessários, além da definição de regras para o compartilhamento da malha ferroviária.

Outra possibilidade em análise é a utilização do regime de autorizações ferroviárias, mecanismo que permite a participação da iniciativa privada na implantação e operação do serviço.

Nova concessão pode abrir caminho

O momento é considerado estratégico pelas lideranças catarinenses porque a EF-485 integra a Malha Sul, cuja nova concessão está em fase de modelagem e tem previsão de ser licitada em 2027.

Com isso, representantes da região buscam assegurar que o transporte de passageiros faça parte das discussões antes da definição do novo contrato de concessão, aumentando as chances de que o projeto seja incorporado ao planejamento ferroviário nacional.

Embora ainda não exista previsão para o início das operações, a retomada do trem de passageiros volta a ocupar espaço na agenda de infraestrutura de Santa Catarina e reacende uma reivindicação histórica de municípios que dependem quase exclusivamente do transporte rodoviário para a mobilidade regional.

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