Baena estava preso preventivamente desde o mesmo ano do assassinato e foi citado como um dos agentes corrompidos no esquema de infiltração do PCC nas polícias paulistas denunciado por Gritzbach antes de morrer. A defesa de Baena sempre negou todas as acusações e chamou o delator morto de “mitômano” (mentiroso). O STF atendeu ao pedido de habeas corpus da defesa mediante o pagamento de R$ 100 mil em fiança e a adoção de medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica.
Em sua delação, Gritzbach acusou policiais de cobrarem um valor de R$ 30 milhões de propina para que ele não respondesse pelos assassinatos de dois membros da facção criminosa. Vinicius era investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) por suspeita de ter mandado matar Anselmo Becheli Santa Fausta, o “Cara Preta”, e Antônio Corona Neto, o “Sem Sangue”, ambos mortos em 2021.
Na decisão desta terça, o ministro declarou avaliar que não haveria, no momento, “fundamentos suficientes” para manter a prisão. Ele ressaltou que Baena era mantido preso unicamente com a “palavra do delator” e que não haveria um “conjunto probatório robusto”. Também citou que o delegado é réu primário e que o período de instrução do processo já foi encerrado, portanto ele não poderia influir na investigação.
Com as informações do delator, a Corregedoria de Polícia Civil e o Ministério Público desencadearam a operação Tacitus em dezembro de 2025, em parceria com a Polícia Federal, para investigação do envolvimento de policiais com a organização criminosa no vazamento de informações, vantagens e lavagem de dinheiro em troca de propinas. A Polícia Federal indiciou 14 pessoas por envolvimento no crime .
As investigações revelaram um esquema complexo com manipulação e o vazamento de informações sigilosas de investigações policiais para criminosos, além da venda de proteção a integrantes do PCC. Há indícios de que a rede de corrupção beneficiaria operações de lavagem de dinheiro da facção criminosa.
Gritzbach foi morto a tiros disparados à queima-roupa na via em frente ao terminal de desembarque nacional (Terminal 2) do aeroporto Internacional de Guarulhos. Ao todo, onze PMs que trabalhavam em sua escolta foram investigados e três aguardam julgamento pela sua participação no crime. O julgamento está previsto para junho.
Fonte: Gazeta do Povo

