Participação popular e saúde pública
A participação popular marcou a reunião da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável durante a Alesc Itinerante, realizada na manhã desta quarta-feira (25), em Curitibanos.
Alunos do curso de Medicina Veterinária do campus da UFSC no município ecoaram no plenário o pedido pela implantação de um hospital público veterinário na cidade.
As manifestações ocorreram após a fala do professor Guilherme Jurkevicz Delben.
Defesa de hospital veterinário público
Delben levou ao parlamento a preocupação com a saúde pública.
“Precisamos olhar para a realidade que existe e não desviar o olhar. Nos municípios do interior simplesmente não há atendimento público para os animais. Quem não pode pagar por serviços veterinários complexos fica desassistido. Vemos prefeituras tentando resolver sozinhas problemas estruturais. O exemplo que trago é o trabalho da clínica-escola, que gera resultados, mas precisa de continuidade e ampliação de parcerias. Temos demanda e equipe, mas não dispomos da estrutura necessária. Limitar atendimentos é uma imposição estrutural. A implantação de um hospital veterinário público em Curitibanos não é apenas pelos animais, é uma questão de saúde pública”, destacou.
O presidente da comissão, deputado Marquito (Psol), anunciou a realização de uma audiência pública no dia 24 de junho, em Curitibanos, para debater a instalação da unidade.
Situação das famílias atingidas por barragem
Durante a reunião, os parlamentares também ouviram relatos sobre a situação das famílias atingidas pela Usina Hidrelétrica São Roque.
O agricultor e engenheiro agrônomo Leonardo de Souza Araújo, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens de São José do Cerrito, descreveu as dificuldades enfrentadas após o enchimento do reservatório.
“Falar da luta dos atingidos é falar de uma realidade muito difícil. Após 2022, muitos problemas surgiram. Há famílias que perderam casas, até cemitérios ficaram submersos, histórias se perderam. Durante muito tempo, a balsa ficou parada, causando prejuízos, pois as pessoas precisavam fazer grandes desvios. Hoje ainda temos famílias com direitos negados, assentamentos em áreas remanescentes sem água, pessoas sem terra e sem energia. Outro problema é a regularização fundiária: há proprietários que seguem pagando impostos sobre terras alagadas ou que não receberam a documentação das novas áreas, ficando impedidos de acessar financiamentos. Pedimos ajuda e respeito”, relatou.
Restauração ambiental e sociobiodiversidade
Outro tema em debate foi a restauração ambiental e a sociobiodiversidade na Serra Catarinense, apresentado por Natal João Magnanti, coordenador de projetos do Centro Vianei de Educação Popular.
“A restauração não traz prejuízos, ao contrário, contribui para o equilíbrio ambiental e pode ativar cadeias produtivas. Hoje contamos com uma política nacional de recuperação da vegetação nativa, que precisa ser fortalecida”, afirmou.
Gestão de recursos hídricos
Encerrando a reunião, o presidente do Comitê de Gerenciamento das Bacias Hidrográficas do Rio Canoas e dos afluentes catarinenses do Rio Pelotas, Eduardo Marques Martins, destacou os desafios relacionados à gestão da água.
“Enfrentamos diariamente problemas que se agravam. Precisamos refletir sobre o que estamos fazendo com nossas reservas naturais. No ano passado, realizamos uma audiência pública com a comissão, onde soluções foram apontadas. Uma das grandes preocupações é a implementação efetiva dos instrumentos de gestão de recursos hídricos previstos na política nacional”, concluiu.
Alesc explica
Saúde pública veterinária, barragens, restauração ambiental e gestão da água.
A implantação de um hospital veterinário público em Curitibanos.
Realização de audiência pública sobre o tema.
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Fonte: MARCELO ESPINOZA

