Estado defende modelo independente para garantir competitividade logística e atrair investimentos
Santa Catarina voltou a reforçar sua defesa por um corredor ferroviário próprio durante as discussões sobre a renovação e reestruturação da malha ferroviária do Sul do país. A principal preocupação do setor produtivo e do governo estadual é evitar que o Estado seja incluído em um lote considerado deficitário, o que poderia atrasar investimentos e comprometer a competitividade da economia catarinense.
A reivindicação ganhou força após novas tratativas envolvendo o Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsáveis pela modelagem das futuras concessões ferroviárias.
Estado quer protagonismo na logística
A proposta defendida por Santa Catarina prevê a criação de um corredor ferroviário próprio, conectado aos principais polos industriais e aos portos catarinenses, sem depender de trechos considerados pouco atrativos economicamente.
Na avaliação do governo estadual e de representantes da iniciativa privada, o Estado possui uma das economias mais diversificadas do Brasil, forte vocação exportadora e um complexo portuário em constante expansão, fatores que justificariam uma modelagem diferenciada.
A preocupação é que uma concessão agrupando Santa Catarina com trechos de baixa rentabilidade reduza o interesse de investidores e adie obras consideradas estratégicas.
Portos impulsionam demanda
O crescimento da movimentação de cargas nos portos de Itajaí, Navegantes, São Francisco do Sul e Imbituba reforça a necessidade de uma infraestrutura ferroviária mais eficiente.
Hoje, a maior parte da produção catarinense segue pelas rodovias, aumentando custos logísticos, congestionamentos e desgaste da malha viária.
Para o setor produtivo, ampliar a participação das ferrovias representa um passo fundamental para reduzir o custo do transporte, aumentar a competitividade das exportações e diminuir a emissão de poluentes.
Setor produtivo apoia reivindicação
Entidades empresariais vêm defendendo que Santa Catarina tenha tratamento compatível com sua importância econômica.
O Estado responde por uma parcela significativa das exportações brasileiras de carnes, produtos industrializados, madeira, móveis, cerâmica e máquinas, além de possuir uma indústria altamente diversificada.
Na avaliação das lideranças empresariais, uma ferrovia moderna e integrada aos portos pode representar um novo ciclo de desenvolvimento para a economia catarinense.
Debate segue em Brasília
A discussão sobre a modelagem ferroviária continua em andamento entre o governo federal, a ANTT e os estados do Sul.
Santa Catarina busca convencer a União de que um corredor independente aumentaria a atratividade da concessão, garantindo maior volume de investimentos privados e acelerando a implantação da infraestrutura necessária para atender à crescente demanda logística.
Enquanto as negociações avançam, o tema permanece como uma das principais bandeiras do Estado na área de infraestrutura, com apoio de parlamentares, do setor empresarial e das entidades ligadas ao transporte de cargas.
A expectativa é que a definição do modelo ocorra nos próximos meses, em uma decisão considerada estratégica para o futuro da logística e da competitividade de Santa Catarina.
