O plano da União é dividir os 4,2 mil quilômetros de trilhos da Malha Sul em três corredores logísticos diferentes: Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul. O governo pretende realizar um certame único exigindo R$ 14,4 bilhões em investimentos privados imediatos (o chamado Capex) e outros R$ 38,6 bilhões para a operação e manutenção da rede (Opex) pelos próximos 30 anos.
Os governadores e as federações de indústria e agricultura afirmam que foram excluídos das decisões técnicas. Eles argumentam que a divisão da ferrovia quebra a integração logística regional. Para os líderes, uma ferrovia fatiada perde eficiência no escoamento de cargas e pode aumentar custos, prejudicando a competitividade das empresas locais no mercado global.
No Paraná, a crítica foca no traçado urbano. O projeto atual da ANTT não prevê contornos ferroviários, o que mantém trens de carga pesada passando pelo centro de Curitiba e cidades vizinhas até 2057. Isso gera conflitos de trânsito, riscos de segurança e piora a qualidade de vida dos moradores, além de haver o pedido para unificar as operações com a Ferroeste.
O Ministério Público Federal (MPF) também questionou o Ministério dos Transportes, alertando que a fragmentação da malha rompe a lógica do transporte ferroviário. Segundo o órgão, licitar a maior ferrovia do país de forma desintegrada prioriza soluções regionais imediatas, mas compromete a capacidade de longo prazo de todo o sistema ferroviário nacional.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) abriu uma consulta pública que vai até 10 de agosto de 2026 para receber sugestões da sociedade. Também haverá audiências presenciais em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis em julho. Por conta desses impasses e atrasos nos estudos, a previsão é que o leilão da Malha Sul ocorra apenas em 2027.
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Fonte: Gazeta do Povo
