Entre os estreantes na disputa eleitoral deste ano estão dois nomes conhecidos do futebol brasileiro: os ex-atacantes Edmundo (PSDB-RJ) e Luís Fabiano (MDB-SP). Convocados para as Copas do Mundo de 1998 e 2010, respectivamente, ambos ficaram marcados tanto pelo faro de gol quanto pelo temperamento explosivo dentro de campo. Agora, tentam transformar a popularidade conquistada nos gramados em votos nas urnas.
Luís Fabiano entra na política em São Paulo
Em março, Luís Fabiano oficializou sua filiação ao MDB e foi lançado como pré-candidato a deputado federal por São Paulo. O anúncio foi feito pelo presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, com apoio do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes.
Ídolo do São Paulo Futebol Clube, o ex-centroavante integrou a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, quando marcou três gols sob o comando do técnico Dunga.
Ao anunciar sua entrada na política, Luís Fabiano afirmou que pretende colocar sua experiência e trajetória a serviço da população.
“Quem me acompanhou nos campos sabe que eu nunca fugi de uma decisão. Não aceito ver o futuro dos nossos jovens e o potencial das nossas cidades sendo desperdiçados. Não sou político de carreira, sou um realizador”, declarou.
Edmundo busca vaga pelo Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, Edmundo percorre a capital fluminense como pré-candidato a deputado federal pelo PSDB. A imagem do ex-jogador segue fortemente ligada ao Vasco da Gama, clube pelo qual se tornou um dos maiores ídolos da história.
Convidado pelo presidente estadual tucano, Luciano Vieira, torcedor declarado do clube cruzmaltino, Edmundo afirmou, durante sua filiação, que espera representar o Vasco em Brasília.
“Fui craque, fui ídolo, fui intensidade. Fui polêmico, verdadeiro e apaixonado. Sempre carreguei no peito a coragem de ser quem sou”, disse o ex-atacante, conhecido pelo apelido de “Animal”.
Edmundo foi convocado para a Copa do Mundo de 1998 por Mario Jorge Lobo Zagallo após uma temporada histórica pelo Vasco, quando marcou 29 gols em 28 partidas do Campeonato Brasileiro de 1997. Apesar da excelente fase, acabou como reserva na campanha do vice-campeonato mundial da seleção brasileira, cuja dupla titular era formada por Ronaldo e Bebeto.
Romário é o exemplo de maior sucesso político
Entre os ex-jogadores da seleção brasileira, o caso de maior êxito na política é o do senador Romário (PL-RJ). Campeão do mundo em 1994 e eleito melhor jogador do planeta naquele ano, o ex-atacante iniciou a carreira política em 2010, ao conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Quatro anos depois, foi eleito senador pelo Rio de Janeiro e, posteriormente, reeleito para mais um mandato. Como os mandatos no Senado duram oito anos, Romário só voltará às urnas em 2030.
Na campanha do tetracampeonato mundial, nos Estados Unidos, Romário formou ao lado de Bebeto uma das duplas de ataque mais marcantes da história da seleção. Juntos, foram responsáveis por oito dos 11 gols do Brasil na competição.
Bebeto teve trajetória política, mas sofreu derrotas recentes
Companheiro de Romário no ataque do tetra, Bebeto também ingressou na política em 2010. Naquele ano, foi eleito deputado estadual pelo PDT para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Posteriormente, conquistou mais dois mandatos, já por Solidariedade e Podemos.
Em 2022, concorrendo a deputado federal pelo PSD, usando o nome de urna “Bebeto Tetra”, não conseguiu se eleger e ficou na suplência. Dois anos depois, tentou uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, mas novamente terminou como suplente.
Até o momento, o ex-camisa 7 ainda não confirmou se disputará as eleições deste ano.
Raí foi cogitado pelo PT, mas articulação não avançou
Outro nome que chegou a ser considerado para a política foi o ex-meia Raí, campeão mundial em 1994 e ídolo do São Paulo. Ligado a pautas progressistas, o ex-jogador foi sondado pelo PT para disputar uma vaga no Senado por São Paulo, mas as articulações não prosperaram.
A afinidade política de Raí é frequentemente associada à influência do irmão Sócrates, capitão da seleção brasileira nas Copas de 1982 e 1986 e uma das figuras mais emblemáticas do movimento Democracia Corintiana.
Durante a década de 1980, Sócrates liderou, ao lado de outros jogadores do Corinthians, um movimento que defendia maior participação dos atletas nas decisões do clube e se alinhava às mobilizações pela redemocratização do país, tornando-se um símbolo da luta por eleições diretas e da defesa da participação popular.
