Foi uma força-tarefa inédita liderada pela Interpol e pela OEA, com apoio da União Europeia e liderança logística do Brasil. O foco principal foi combater o crime organizado transnacional, atacando simultaneamente o tráfico de armas de fogo e de drogas. A ideia é que essas atividades caminham juntas: os criminosos usam as mesmas rotas e logística para transportar produtos ilícitos diferentes, como cocaína, armas e até promover o contrabando de pessoas.
Os números impressionam: foram 8.701 prisões, 56 toneladas de entorpecentes destruídos e 3,3 mil armas de fogo retiradas das ruas. Além disso, as autoridades apreenderam cerca de 200 mil cartuchos de munição, 210 veículos e centenas de milhares de dólares em dinheiro vivo. A operação colocou em evidência como grupos criminosos conectam países produtores na América Latina a mercados na Europa, Ásia e África, usando o Brasil como um corredor logístico estratégico.
Pela primeira vez, a Interpol é chefiada por um brasileiro, o delegado da Polícia Federal Valdecy Urquiza. Sob sua gestão, o foco tem sido o ‘sul global’, região onde o tráfico de drogas e armas gera altos índices de violência urbana. O Brasil não apenas liderou e financiou a força-tarefa, sediada em Buenos Aires, como também realizou apreensões locais importantes, incluindo fuzis, submetralhadoras, granadas e cadernos com registros detalhados do tráfico.
Na Colômbia, 22 pessoas foram presas em uma investigação sobre financiamento ao terrorismo. No Panamá, um esquema que usava sistemas de correios para enviar armas militares através das fronteiras foi desarticulado. Já no Chile, a polícia prendeu três indivíduos e recuperou mais de 500 quilos de drogas avaliados em US$ 5,6 milhões, além de bloquear 11 contas bancárias usadas para esconder dinheiro de origem criminosa, o que chamamos de lavagem de dinheiro.
Especialistas apontam que o crime organizado hoje é ‘globalizado’; ele não respeita fronteiras. Por isso, acordos de cooperação técnica, como o firmado entre o Ministério Público de São Paulo e a procuradoria antimáfia da Itália, são essenciais para trocar informações e inteligência. Ao trabalharem juntos, os países conseguem antecipar ameaças e sufocar o poder financeiro de facções como o PCC, tornando as comunidades locais mais seguras ao redor do mundo.
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Fonte: Gazeta do Povo
