Tren de Aragua: como facção venezuelana na mira de Trump age no Norte do Brasil

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Considerada a maior organização criminosa da Venezuela e frequentemente citada em discursos do presidente norte-americano Donald Trump sobre segurança e imigração, a facção Tren de Aragua consolidou sua presença no Norte do Brasil, especialmente em Roraima, onde investigações apontam sua atuação em atividades como tráfico de drogas, extorsão, contrabando, exploração de garimpos ilegais e apoio logístico a outras organizações criminosas.

Originada no estado venezuelano de Aragua, a organização surgiu dentro do sistema prisional do país vizinho e, nos últimos anos, expandiu suas operações para diversos países da América Latina. No Brasil, a principal porta de entrada foi a região de fronteira entre a Venezuela e Roraima, especialmente nos municípios de Pacaraima e Boa Vista.

Presença crescente em Roraima

Relatórios de inteligência e investigações conduzidas por órgãos de segurança apontam que a facção está presente em diversos municípios de Roraima e busca ampliar sua influência em áreas urbanas e regiões de garimpo. Em Boa Vista, autoridades identificaram integrantes da organização em bairros estratégicos da capital e dentro do sistema prisional estadual.

Um dos episódios que chamou a atenção das autoridades ocorreu no início de 2025, quando a polícia encontrou um cemitério clandestino em uma área de mata de Boa Vista. Segundo as investigações, uma testemunha ligada ao Tren de Aragua indicou o local e relatou perseguições promovidas pela facção, além do sequestro de familiares.

Relação com facções brasileiras

Diferentemente de confrontos observados em outros países da América do Sul, estudos sobre o crime organizado na Amazônia indicam que o Tren de Aragua mantém relações pragmáticas com facções brasileiras, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho.

Pesquisas e relatórios de segurança apontam que essas conexões envolvem prestação de serviços criminosos, como proteção de cargas de drogas, fornecimento de armas, segurança em rotas clandestinas e apoio a atividades de garimpo ilegal. Até o momento, não há registros relevantes de confrontos diretos entre essas organizações em território brasileiro.

Atuação na fronteira e nos garimpos

Especialistas afirmam que a localização estratégica de Roraima favorece a expansão da facção. A região faz fronteira com a Venezuela e está próxima da Guiana, tornando-se um corredor para o tráfico de drogas, armas, combustível e ouro extraído ilegalmente. Estudos sobre a violência na Amazônia sugerem que integrantes do Tren de Aragua participam de redes criminosas transnacionais que conectam esses mercados ilícitos.

Além das cidades de fronteira, a organização também é investigada por atuar em áreas de mineração ilegal, oferecendo proteção armada e suporte logístico a grupos que exploram recursos naturais de forma clandestina.

Expansão para outros estados

Embora Roraima concentre a maior presença da facção, autoridades brasileiras já registraram integrantes ou células ligadas ao Tren de Aragua em outros estados, incluindo Amazonas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A expansão ocorre principalmente por meio de fluxos migratórios, redes de tráfico e alianças com grupos criminosos locais.

Preocupação internacional

A facção ganhou projeção internacional após ser alvo de operações policiais em diversos países e ser mencionada por Donald Trump em declarações sobre segurança regional e imigração. Autoridades dos Estados Unidos também acusam líderes do grupo de envolvimento com tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e outras atividades transnacionais.

Para especialistas em segurança pública, o avanço do Tren de Aragua representa um novo desafio para o Brasil, especialmente na Amazônia, onde a combinação entre fronteiras extensas, rotas clandestinas e presença de outras facções favorece a atuação de organizações criminosas internacionais.

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