No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 33.104 relatos de irregularidades envolvendo 58 medicamentos diferentes. Somente no mês de abril, um levantamento apontou falhas no fornecimento de 30 remédios que são de responsabilidade direta do Ministério da Saúde, afetando pacientes com doenças autoimunes, raras, oncológicas e crônicas.
A interrupção de tratamentos de uso contínuo pode causar o agravamento rápido das doenças, perda da resposta aos medicamentos, crises e internações que poderiam ser evitadas. Relatos indicam que pacientes estão perdendo a mobilidade física e enfrentando dores intensas. Alguns chegam a tomar doses em dias intercalados para tentar fazer o estoque durar mais tempo.
A leflunomida, usada para tratar artrite reumatoide, concentra o maior número de reclamações. Outros remédios com estoques críticos incluem o adalimumabe, a insulina análoga de ação rápida e medicamentos para tratamento de doenças inflamatórias e autoimunes, como o tocilizumabe e o risanquizumabe.
O ministério afirma que está enviando remessas para estados como Paraná, Santa Catarina e São Paulo para regularizar a situação. Sobre a leflunomida, o órgão notificou o fornecedor atual por atrasos na produção e abriu um novo processo de compra para adquirir 17,8 milhões de unidades, visando estabilizar o abastecimento nacional.
São Paulo lidera o número de queixas com centenas de relatos, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. No Paraná, a Secretaria de Saúde informou um déficit de mais de 50% entre o volume de leflunomida solicitado e o que foi efetivamente recebido do governo federal no primeiro semestre de 2026.
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Fonte: Gazeta do Povo

