Ao serem rotuladas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), as facções enfrentam sanções mais rígidas. Isso inclui o bloqueio de bens em solo americano e a proibição de que qualquer pessoa ou empresa sob jurisdição dos EUA forneça apoio material aos grupos. A decisão reflete o entendimento de que o impacto dessas organizações vai além do tráfico de drogas comum, ameaçando a segurança pública de forma sistêmica.
O ‘Salve Geral’ de 2006, em São Paulo, é um exemplo marcante. Durante dez dias, o PCC coordenou ataques e rebeliões que resultaram em 564 mortes e paralisaram a maior metrópole do país. Outro caso grave foi o assassinato do juiz Antônio José Machado Dias, em 2003, morto por ser considerado um inimigo pelas lideranças criminosas detidas no fórum onde atuava.
As facções não pouparam civis ou jornalistas. Em 2002, Tim Lopes, da TV Globo, foi torturado e morto pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro enquanto investigava denúncias de abuso sexual. Em 2006, o PCC sequestrou o repórter Guilherme Portanova em São Paulo, exigindo a exibição de um vídeo com reivindicações do grupo em rede nacional para libertá-lo após 40 horas de cativeiro.
Recentemente, o Comando Vermelho adotou o uso de drones adaptados para lançar granadas contra policiais em operações no Rio de Janeiro. Investigações apontam que o treinamento para operar esses equipamentos teria sido ministrado por um voluntário brasileiro que lutou na guerra da Ucrânia, evidenciando uma profissionalização militar das facções.
Em 2024, o empresário e delator Antônio Vinícius Gritzbach foi executado à luz do dia no Aeroporto de Guarulhos. Já em 2025, o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, autoridade no combate ao crime organizado, foi morto a tiros de fuzil na Praia Grande. Esses crimes mostram que as facções atacam tanto quem colabora com a Justiça quanto os agentes públicos que as investigam.
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Fonte: Gazeta do Povo
