Polícia investiga grupo criminoso após vítima do Paraná perder R$ 60 mil em golpe

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A ação contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segurança Pública e com a colaboração das polícias civis do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão e cinco de busca domiciliar nas cidades de Santa Maria de Jetibá (ES), Jandaia (GO), São Luís (MA), Ielmo Marinho (RN) e João Pessoa (PB).

Diversos celulares foram apreendidos e passarão por perícia para continuar as investigações. De acordo com a polícia, os suspeitos respondem por extorsão majorada, organização criminosa transnacional e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos. As penas somadas dos crimes podem superar 20 anos de prisão.

Segundo a Polícia Civil, o crime começou em 2024. A vítima paranaense foi contatada nas redes sociais por um perfil falso em nome de “David Green”. O golpista utilizava fotos de terceiros, já mapeadas como recorrentes em golpes internacionais, e se apresentava como um médico oncologista em missão de paz da Otan na Síria.

Após conquistar a confiança da vítima por meio de manipulação emocional e promessas de casamento, o criminoso a induziu a compartilhar fotos e vídeos íntimos.

“Posteriormente, ele passou a solicitar valores sob diversos pretextos, incluindo supostas despesas com passagens aéreas, detenções e multas relacionadas ao transporte de ouro na Áustria e no Brasil”, detalha Kelvin Bressan, delegado do Núcleo de Investigações Qualificadas da Divisão Policial do Interior.

Quando a vítima demonstrou desconfiança e alegou dificuldades financeiras, o investigado iniciou a sextorsão, ameaçando divulgar o material íntimo na internet caso não recebesse mais R$ 20 mil.

A investigação revelou uma divisão de tarefas estruturada. O núcleo operacional funcionava no exterior e utilizava um número de telefone com DDI da Nigéria (+234). Esse grupo era o responsável pela abordagem, sedução e pelas ameaças.

“Em nível nacional, o núcleo era voltado à lavagem de dinheiro, sendo composto por operadores financeiros responsáveis por ceder contas bancárias para o recebimento, ocultação e dissimulação dos valores ilícitos mediante conversão em criptoativos”, completa o delegado.

A apuração identificou que os criminosos movimentaram quase R$ 4 milhões em apenas dois meses. Algumas das contas bancárias usadas no esquema já apareciam como beneficiárias em múltiplos boletins de ocorrência registrados em outros estados.

A polícia estima que o grupo tenha feito pelo menos 20 vítimas usando o mesmo método no Brasil. A operação realizada nesta quinta-feira também busca identificar outros integrantes da rede.

Fonte: Gazeta do Povo

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