Queijo especial produzido em cidade do interior do Brasil está entre os melhores do mundo

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O queijo de Pomerode é o único brasileiro ao lado de produtos franceses, italianos e suíços. O Morro Azul integra a linha de queijos artesanais Vermont, da empresa Queijos Pomerode. Fundada em 2002, nasceu do sonho de um filho e de um neto de resgatar o legado do “opa” (avô, em alemão) Guilherme Ziehlsforff.

Por quase 40 anos, Ziehlsforff produziu para a Companhia Weege o kraeuterkaese — tradicional creme de parmesão com ervas finas, feito há 70 anos em Pomerode. Em agosto de 2013, a empresa foi adquirida pela família Mendes, criadora da Cervejaria Eisenbahn, de Blumenau, que ampliou a linha de produtos e reforçou a distribuição.

A virada de chave aconteceu em 2017, quando a empresa lançou a linha de queijos de mofo branco Vermont, da qual o Morro Azul faz parte. A proximidade dos irmãos Juliano e Bruno Mendes com o queijo começou ainda quando eram proprietários da cervejaria.

Eles passaram a estudar e entender o produto para indicar aos clientes com quais tipos de queijos a cerveja harmoniza. Antes de abrir a empresa, porém, mergulharam em pesquisas, feiras, visitas e em curso de queijeiro no estado de Vermont, nos Estados Unidos.

De acordo com um dos sócios da empresa, Bruno Mendes, o Morro Azul é um queijo macio, de mofo branco, formado pelo fungo Penicillium candidum. Em seu processo de produção, retém umidade para atingir alta cremosidade. O preço médio de venda do Morro Azul varia entre R$25 e R$30, dependendo do estado e do canal de venda.

“O queijo é salgado e, posteriormente, envolvido em uma cinta de madeira, que garante estrutura e ajuda na composição do sabor e do aroma. O período de maturação é de 30 dias”, explica.

O queijo Morro Azul coleciona distinções internacionais. Entre as premiações, o produto conquistou:

“Esse reconhecimento mostra que os queijos artesanais brasileiros possuem qualidade, identidade e personalidade suficientes para competir com grandes referências mundiais”, reforça a presidente da Associação dos Produtores de Queijo Artesanal de Santa Catarina (Artequeijo SC), Andressa Dalila Bianchi. Ela é dona da Casa Bianchi, uma queijaria artesanal especializada em produtos elaborados com leite de ovelha em Lajeado Grande, no oeste catarinense.

Segundo ela, quando um queijo catarinense alcança esse nível de destaque, abre portas para todo o setor, valorizando o trabalho dos produtores, incentivando melhorias na qualidade e ampliando a visibilidade dos queijos brasileiros no cenário internacional.

“O queijo artesanal é um produto cultural, profundamente ligado ao território, às pessoas e às tradições locais. Juliano e Bruno conseguiram muito bem transformar e traduzir tudo isso em um queijo”, acrescenta.

Andressa destaca que Santa Catarina vive um momento de expansão na produção de queijos artesanais, com produtores distribuídos em diferentes regiões, especialmente no oeste, meio-oeste e serra. “Esse movimento reflete o interesse dos consumidores e da alta gastronomia por alimentos artesanais, com origem conhecida e forte identidade regional. São produtos que carregam histórias, tradições familiares e vínculos com o território”, cita.

Andressa ressalta o papel da organização coletiva nesse avanço. “Nosso objetivo com a Artequeijo SC é apoiar o desenvolvimento dos negócios familiares, tornando-os sustentáveis e capazes de garantir renda, dignidade e continuidade no campo”.

Para a presidente da associação de produtores, o queijo artesanal também representa uma oportunidade de futuro para as famílias rurais. “Acreditamos que é uma ferramenta de sucessão familiar — uma oportunidade de manter filhos e filhas no campo, dando continuidade a tradições e construindo novos caminhos”.

Além do Morro Azul, a Queijos Pomerode tem no portfólio outros 11 queijos diferentes na linha Vermont, além de uma linha de queijos cremosos (fundidos) com sete produtos. A empresa processa, em média, 5 mil litros de leite por dia para atender a produção.

Outro produto de destaque é o Vale do Testo, que também recebeu medalha de ouro em uma competição na Europa. Ele passa por um processo de maturação de três, seis e doze meses e é lavado semanalmente com uma solução de água, sal e microrganismos que intensificam o sabor, como a bactéria Brevibacterium linens.

Além dos queijos, os irmãos Mendes estão investindo na produção de um iogurte com apenas dois ingredientes: leite fresco e fermentos lácteos. O produto não tem adição de açúcares, conservantes ou espessantes.

As vendas ocorrem para todo o Brasil, em lojas de queijos, empórios, supermercados e também por meio das duas lojas próprias da Queijos Pomerode. De acordo com Bruno Mendes, os produtos ainda não são exportados, mas existem conversas em andamento com os Estados Unidos. “Nossa expectativa de faturamento para o ano de 2026 é de R$ 20 milhões”, acrescenta Mendes.

Fonte: Gazeta do Povo

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