Hoje, as duas principais ferrovias operam com limitações estruturais que prejudicam o transporte de cargas. A Ferroeste liga Guarapuava a Cascavel, no Paraná, enquanto a Malha Sul corta Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ambas aguardam novos investimentos após processos de concessão e desestatização que estão em andamento tanto pelo governo estadual quanto pela União.
A Ferroeste é de controle estadual e a Malha Sul é de responsabilidade federal. O setor produtivo teme que, se os editais não forem pensados de forma conjunta, a logística fique fragmentada. A sugestão de especialistas é que o contrato da Malha Sul inclua cláusulas que facilitem a operação sinérgica da Ferroeste, garantindo que o transporte flua sem interrupções operacionais nos pontos de conexão.
O governo federal decidiu não prorrogar o atual contrato com a Rumo Logística, que vence em 2027. Será feita uma nova licitação dividindo o trecho em três corredores de transporte. A novidade é a inclusão de metas de desempenho mais ricas, evitando que a empresa vencedora invista apenas nos trechos mais rentáveis e deixe outras regiões sem a infraestrutura necessária.
A Serra da Esperança é o principal nó logístico onde as duas ferrovias se encontram. Uma solução técnica proposta é a criação de um novo traçado direto entre Guarapuava e a Lapa, sem passar obrigatoriamente por Ponta Grossa. Isso poderia triplicar a capacidade de transporte anual para 36 milhões de toneladas, mas exige que o Governo do Paraná assuma a responsabilidade por esse novo trecho.
Atualmente, a má qualidade do serviço ferroviário encarece o frete e faz com que 80% das cargas cheguem ao Porto de Paranaguá por caminhões. Em portos vizinhos, como o de São Francisco do Sul, a participação do trem é de 50%. Uma ferrovia moderna e integrada tornaria o produto brasileiro mais competitivo no exterior ao reduzir os custos de transporte do interior até o navio.
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Fonte: Gazeta do Povo

