Diferente de um haras, que é uma propriedade privada, uma coudelaria é um centro de criação de cavalos gerido pelo Estado ou militares. Em São Borja, a unidade de Rincão concentra o nascimento, a criação e o treinamento dos animais que compõem o arsenal de guerra brasileiro, atuando em combates, patrulhas de fronteira e eventos cerimoniais onde veículos não conseguem chegar.
O processo é cuidadoso e exige um planejamento de cinco anos. Tudo começa com a organização financeira e o emprenhamento das éguas. Após o nascimento, os potros vivem três anos no campo antes de iniciarem a doma e o treinamento técnico. Atualmente, a unidade entrega cerca de 150 a 170 animais prontos para o serviço por ano, o que equivale a um cavalo a cada dois dias.
O destaque é o Brasileiro de Hipismo (BH), com mais de 800 exemplares voltados para equitação e desporto. Também são criados o Puro-Sangue Inglês, o Bretão (usado estrategicamente na reprodução como receptora de embriões), o Cavalo Crioulo (preferido para patrulhamento ostensivo policial) e o Polo Argentino. Cada raça é escolhida por suas aptidões físicas e cardiorrespiratórias.
Os cavalos atendem diversas frentes: os regimentos de guarda em Brasília (Dragões da Independência), unidades no Rio de Janeiro e Porto Alegre, e a Escola de Equitação do Exército. Além disso, as Polícias Militares estaduais e a Força Aérea Brasileira utilizam os equinos para choque e patrulha. Há também intercâmbios genéticos e envio de animais para a Argentina e o Paraguai.
No início da Segunda Guerra Mundial, o Brasil possuía quase 23 mil cavalos. Com a mecanização das Forças Armadas e o uso de tanques e veículos blindados, a necessidade reduziu drasticamente. Atualmente, o efetivo total é de 2.181 animais. Em 1988, o Exército unificou todas as suas antigas coudelarias em Rincão devido à grande área disponível e à tradição gaúcha na criação equina.
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Fonte: Gazeta do Povo

