A Aurora Coop encerrou 2025 com receita operacional bruta de R$ 26,9 bilhões, crescimento de 8,3% em relação ao ano anterior. O lucro nas cooperativas somaram R$ 1,2 bilhão, um avanço de 43,5% — o sistema Aurora Coop reúne 14 cooperativas agropecuárias, cerca de 87 mil famílias de produtores e 50,4 mil funcionários distribuídos em unidades industriais, comerciais, logísticas e administrativas em 15 estados brasileiros.
De acordo com o presidente da empresa, Neivor Canton, o modelo cooperativista é a base da expansão do negócio e da capilaridade da cadeia produtiva. “Mais de 150 mil famílias participam desse sistema produtivo que leva alimentos do campo para o Brasil e para mais de 80 países”, afirma.
O impacto econômico da cooperativa é bastante perceptível em Chapecó. Segundo o prefeito João Rodrigues (PSD), a Aurora Coop responde sozinha por mais de 10% dos empregos formais do município. “A cooperativa tem cerca de 13 mil funcionários na cidade”, afirma.
Esse volume de empregos ajuda a explicar o dinamismo econômico da cidade catarinense. A renda gerada pela agroindústria movimenta comércio, serviços e o mercado imobiliário, além de ampliar a arrecadação municipal.
“É a empresa que mais movimenta a economia do município. No troféu ‘O Desbravador’ do ano passado, ela ficou em primeiro lugar na categoria Grande Empresa Industrial, com valor adicionado de R$ 1,6 bilhão, levando em conta o ano base de 2023”, exemplifica.
Além disso, Chapecó é o município que mais produz carnes em Santa Catarina. De acordo com dados do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), a produção chega a cerca de 588 mil toneladas por ano.
O total reúne suínos, frangos, perus e bovinos. Parte significativa dessa produção passa pelas unidades da Aurora Coop instaladas na cidade, incluindo frigoríficos e plantas industriais de processamento.
O prefeito ressalta que a presença da agroindústria cria uma cadeia econômica que vai além das granjas e frigoríficos. O transporte de animais e alimentos movimenta transportadoras, oficinas mecânicas, postos de combustível e empresas de logística. A indústria demanda equipamentos, manutenção, tecnologia e serviços especializados.
Segundo Rodrigues, cada emprego direto na agroindústria acaba gerando outros postos de trabalho na economia local. “O efeito começa no produtor rural, passa pela indústria e chega ao transporte, aos fornecedores e ao comércio. É uma cadeia muito grande que envolve milhares de prestadores de serviço”, diz.
A estrutura produtiva da cooperativa se apoia em um modelo típico do agronegócio do Sul, que é a integração entre indústria e pequenos produtores. Nas propriedades rurais, famílias criam suínos e aves ou produzem leite sob orientação técnica da cooperativa. Os animais e a matéria-prima seguem depois para as unidades industriais.
Em 2025, as plantas da Aurora abateram 8,2 milhões de suínos, crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior. Além disso, as nove unidades de aves processaram 347,9 milhões de frangos, alta de 1,4%.
A cooperativa também fortaleceu sua atuação no setor de lácteos. Ao longo do ano passado, foram captados cerca de 489 milhões de litros de leite. A estratégia inclui a aposta em produtos de maior valor agregado.
Em 2025, a Aurora Coop incorporou a marca catarinense Gran Mestri, de Guaraciaba, conhecida pela produção de queijos especiais como grana, parmesão,brie e gorgonzola.
Para o secretário estadual da Indústria, Comércio e Serviços, Silvio Dreveck, o crescimento de cooperativas como a Aurora Coop ajuda a explicar a posição de destaque de Santa Catarina no agronegócio brasileiro. Na visão de Dreveck, o cooperativismo teve papel fundamental nesse processo, pois reúne milhares de produtores e fortalece toda a cadeia produtiva.
“Esse modelo gera renda no campo, fortalece os municípios e cria empregos em toda a cadeia produtiva, da produção rural à indústria e à logística”, reforça.
Embora o mercado interno ainda responda pela maior parte das vendas da Aurora Coop, as exportações seguem sendo um pilar importante do negócio. No último ano, as vendas externas somaram R$ 9,1 bilhões, o equivalente a 34,2% da receita total da cooperativa.
A carne suína respondeu por R$ 4,3 bilhões desse volume, enquanto a carne de frango gerou R$ 4,8 bilhões em exportações. A cooperativa responde por 19,7% das exportações brasileiras de carne suína e por 8,4% das vendas externas de carne de frango.
Entre os principais destinos estão países do Oriente Médio, Japão, China, Coreia do Sul, Cingapura, Europa e América do Norte.
Fonte: Gazeta do Povo

