O objetivo é acabar com décadas de estagnação e equilibrar o sistema de transporte brasileiro. Hoje, o Brasil depende muito de caminhões para levar cargas por longas distâncias, o que é caro e ineficiente. A ideia é atrair R$ 600 bilhões em investimentos para criar corredores logísticos modernos, conectando as regiões produtoras aos portos de forma mais sustentável.
Nas concessões, o governo define o projeto e o privado vence o leilão para operar grandes corredores nacionais. Já nas autorizações, o setor privado tem mais liberdade para propor e construir trechos menores, como ramais que ligam fábricas às linhas principais. O governo defende que os dois modelos funcionam juntos: um cuida das ‘avenidas’ ferroviárias e o outro das vias de alimentação.
O cronograma inclui projetos importantes como o Corredor Minas–Rio, a Malha Oeste e a Malha Sul (que atende Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Também estão previstos trechos da Ferrovia Norte-Sul e da Fico-Fiol. Outro destaque é a Ferrogrão, projeto que o governo tenta destravar na justiça para organizar o fluxo de cargas e evitar o crescimento desordenado de estradas.
Isso é fruto de erros históricos, como o foco exagerado em rodovias desde 1930 e a falta de padronização nos trilhos. Existem hoje bitolas (distâncias entre os trilhos) diferentes no país, o que impede que o mesmo trem circule em toda a rede. Dos 30 mil quilômetros instalados, apenas 12 mil estão ativos, evidenciando o abandono de ramais que deixaram de ser lucrativos.
O maior desafio é garantir que o dinheiro público prometido (cerca de R$ 140 bilhões) seja liberado conforme o previsto para dar segurança aos investidores. Além disso, os editais precisam passar pelo rigor do Tribunal de Contas da União (TCU). Para tornar os negócios mais atraentes, o governo aumentou o tempo dos contratos, que agora podem durar até 70 ou 99 anos, permitindo que as empresas recuperem o investimento.
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Fonte: Gazeta do Povo

