“A ampliação ora proposta abrange, em especial, a verificação das circunstâncias relacionadas a eventual reunião realizada em dezembro de 2024 que não teria sido registrada em agenda oficial”, diz o documento, que também cita “eventuais interações mantidas entre as autoridades mencionadas e o controlador da instituição financeira”, referindo-se a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, “com o objetivo de examinar se tais contatos produziram reflexos sobre a regularidade do exercício de funções públicas ou sobre a atuação institucional de órgãos responsáveis pela formulação, regulação e supervisão do sistema financeiro nacional”.
No caso de Rui Costa, as suspeitas vão para além das reuniões envolvendo o presidente Lula (PT), e esbarram em sua gestão no governo da Bahia. O governador assinou um decreto que, na prática, deu exclusividade ao Master em operações relacionadas ao programa CredCesta, um consignado voltado aos servidores estaduais.
O pedido de CPI de Alessandro Vieira é visto como uma armadilha pela oposição. Ocorre que, de acordo com o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estaria tentando barrar a instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). O telefone de Alcolumbre aparece na lista de contatos de Vorcaro.
A diferença entre os colegiados pesa na articulação: diferentemente de uma CPI, uma CPMI não depende do presidente do Congresso para ir a plenário, uma vez que o regimento obriga-o a pautar o requerimento na sessão conjunta seguinte ao protocolo. Jordy revelou que, para que a comissão não avance, Alcolumbre se ofereceu para pautar o veto ao projeto de lei da dosimetria, abrindo margem para uma derrubada por parte da oposição.
Na Câmara, a resistência do presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), em pautar a instalação do colegiado levou o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) a acionar o STF. O sorteio levou o caso justamente para a relatoria do ministro Dias Toffoli, que já havia se afastado do caso Master após terem sido reveladas conversas com Vorcaro. O magistrado se declarou suspeito para julgar o mandado de segurança e devolveu o caso à Presidência, que deverá, agora, realizar um novo sorteio.
Fonte: Gazeta do Povo
