Existe uma disputa por protagonismo entre Flávio Dino e Gilmar Mendes. Ambos assinaram decisões individuais para suspender os chamados ‘penduricalhos’, mas com alcances diferentes. Dino incluiu todos os servidores de todos os Poderes, enquanto Gilmar focou na magistratura e no Ministério Público. Nos bastidores, a movimentação é vista como uma tentativa de criar uma agenda positiva após escândalos recentes que afetaram a reputação do tribunal.
Os ‘penduricalhos’ são verbas indenizatórias criadas para cobrir gastos de trabalho, como moradia ou transporte. Na prática, muitos órgãos usam esses benefícios para pagar valores extras sem descontar impostos ou respeitar o limite salarial do funcionalismo público, hoje em R$ 46,3 mil. Gilmar Mendes chegou a classificar a situação como uma ‘balbúrdia’, onde o teto salarial acabou virando o piso das remunerações.
Embora uma mudança na Constituição em 2024 tenha determinado que o Congresso Nacional criasse uma lei federal para regulamentar e dar transparência a esses pagamentos, os parlamentares ainda não aprovaram o texto devido à pressão de diversas categorias do serviço público. Sem uma regra uniforme, tribunais estaduais e assembleias legislativas continuam aprovando normas próprias para manter o pagamento dos adicionais.
Associações da magistratura afirmam que a carreira perdeu atratividade e que os salários atuais não são suficientes para atrair bons candidatos. Advogados que representam a categoria reclamaram que os cortes foram feitos de forma agressiva, comparando as decisões a ‘balas perdidas’. Houve até desabafos sobre magistrados de primeira instância que não teriam acesso a benefícios básicos, como lanche ou combustível pago pelo tribunal.
A pressa do STF em definir o corte dos supersalários é interpretada como uma manobra para tirar o foco do caso Master. O escândalo envolve suspeitas sobre relações financeiras de familiares e empresas ligadas aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao atacar os privilégios salariais do Judiciário, os ministros tentam dar uma resposta à sociedade e melhorar a percepção da opinião pública sobre a Corte.
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Fonte: Gazeta do Povo
