O Brasil entre a irresponsabilidade fiscal e o ativismo judicial

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O Brasil entre a irresponsabilidade fiscal e o ativismo judicial

O panorama político nacional revela um país em encruzilhada, onde a busca por equilíbrio fiscal colide com agendas expansionistas e a intromissão do Judiciário em prerrogativas legislativas se torna rotina. Enquanto o governo federal flerta com o descontrole das contas, a cúpula do Supremo Tribunal Federal avança sobre temas sensíveis, gerando instabilidade jurídica e política. Em meio a esse cenário, a estratégia presidencial para as eleições municipais e as iniciativas de segurança pública estaduais delineiam os caminhos de poder e as preocupações da sociedade.

A batalha fiscal na esplanada

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025 emergiu como o mais recente foco de tensão na Esplanada, evidenciando uma preocupante dissonância interna no governo. A proposta de um déficit primário de 0,5% do PIB, apresentada pelo Ministério da Gestão sob Esther Dweck, contraria abertamente a meta de equilíbrio fiscal defendida pela equipe do ministro Fernando Haddad, da Fazenda. Tal desencontro não é apenas uma divergência técnica; ele reflete a permanente disputa entre a necessidade premente de responsabilidade fiscal e a tentação de expandir gastos estatais. Desde a posse, o governo tem demonstrado uma inclinação a flexibilizar a âncora fiscal, o que inevitavelmente mina a credibilidade junto aos mercados e a confiança dos investidores, impactando o crescimento econômico sustentável. A insistência em não perseguir metas fiscais realistas (dados do Tesouro Nacional) representa um risco latente à saúde da dívida pública e ao futuro do país.

O judiciário no limiar legislativo

A atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) continua a gerar controvérsia, especialmente em pautas que envolvem liberdade individual e costumes. A discussão sobre a criminalização da homofobia e transfobia reacendeu o debate acerca da separação de poderes. Embora a proteção de minorias seja um pilar da dignidade humana, a Corte, ao equiparar atos discriminatórios ao crime de racismo, adentra em terreno que, constitucionalmente, pertence ao Congresso Nacional. Essa postura, vista por muitos como ativismo judicial, ignora a lentidão legislativa para justificar a criação de leis “por decreto” judicial, usurpando o papel do parlamento (leia mais sobre ativismo judicial). O Judiciário deveria interpretar a lei, não criá-la, garantindo a segurança jurídica e a harmonia entre os poderes. A persistência nessa rota fragiliza as instituições democráticas e estabelece perigosos precedentes para futuras intervenções.

O palanque presidencial e as urnas locais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se lançado com vigor nas pré-campanhas municipais, especialmente em capitais estratégicas como São Paulo. Sua estratégia de “grande eleitor”, buscando transferir capital político para candidatos aliados, visa fortalecer a base governista não apenas para 2024, mas pavimentar o caminho para a sucessão em 2026. Historicamente, presidentes brasileiros utilizam sua influência para moldar o cenário político local, buscando capilaridade e poder nas cidades. No entanto, essa tática, se bem-sucedida em alguns casos, pode gerar resistências em regiões onde a avaliação do governo federal é menos favorável ou onde figuras locais já possuem forte engajamento. A aposta de Lula é alta, e o desempenho de seus aliados será um termômetro crucial para a popularidade de sua gestão e sua capacidade de articulação política em nível nacional (veja nossa análise das eleições municipais).

São paulo na vanguarda da segurança pública

Em contraste com as incertezas federais, o governo de São Paulo, sob Tarcísio de Freitas, demonstra um foco claro na segurança pública. O anúncio de um pacote de medidas que prioriza tecnologia, como monitoramento por câmeras e inteligência artificial, e a integração das forças policiais é uma resposta contundente ao clamor popular por ordem. A preocupação com o crime organizado e a criminalidade urbana exige abordagens modernas e eficientes, que vão além de discursos vazios. A modernização das polícias Civil e Militar, juntamente com a colaboração intermunicipal, são pilares essenciais para restaurar a sensação de segurança e garantir a ordem pública. Esta iniciativa sinaliza uma gestão comprometida com resultados práticos, um exemplo de como estados podem inovar na defesa do cidadão, uma pauta central para qualquer agenda de centro-direita.

O Brasil precisa urgentemente reencontrar seu rumo, ancorado na responsabilidade fiscal, no respeito à separação de poderes e na priorização da segurança dos cidadãos. O contínuo embate entre a contenção de gastos e o expansionismo, somado à invasão de competências legislativas pelo Judiciário, gera um ambiente de incerteza que freia o desenvolvimento. É imperativo que os agentes políticos voltem a focar nas pautas que realmente importam para o crescimento do país e a melhoria da vida dos brasileiros, sem desvirtuar o arcabouço democrático.

Fonte: Coluna de opinião – Notícia SC

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