Na prática, foi como se Toffoli tivesse ficado cerca de um em cada sete dias hospedado no retiro de alto padrão. E, para garantir a tranquilidade dessas estadias, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo ainda pagou o “soldo” dos agentes da segurança do magistrado — uma despesa na casa dos R$ 550 mil.
A frequência do ministro é tão natural no dia a dia do complexo que muitos funcionários se referem a ele como “o proprietário”. A confusão, vamos dizer assim, acontece porque dois irmãos do magistrado, também batizados com o nome de José, foram sócios do resort durante anos.
José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli venderam sua última cota de participação em fevereiro do ano passado, para o advogado Paulo Humberto Barbosa — conhecido por seu trabalho na JBS, empresa de Joesley e Wesley Batista. Estima-se que a transação ficou em torno de R$ 3,5 milhões.
Outra curiosidade: os dois Josés, mesmo após embolsarem a bolada, mantêm um padrão de vida modesto em Marília, no interior de São Paulo. José Eugênio trabalha como engenheiro eletricista, enquanto José Carlos é padre.
O empreendimento pode ter mudado de mãos, porém continua sendo o refúgio preferido do ministro. Por isso, a reportagem da Gazeta do Povo produziu um guia exclusivo para quem deseja refazer os passos de Toffoli.
O roteiro, no entanto, não se limita ao paraíso situado às margens da represa de Chavantes — região que ganhou o apelido de “Angra Doce” por combinar o sossego do interior paranaense com o glamour do litoral fluminense.
A jornada também inclui um breve passeio pela Ribeirão Claro dos Dias Toffoli, para completar a experiência na terra que hoje é conhecida como um ponto fixo do mapa afetivo e logístico da família.
Conheça os destaques desse destino que oferece fartura de natureza, histórias e simbologia. Não é à toa que a palavra “tayayá”, de origem tupi-guarani, significa “lugar de abundância”.
A chegada ao Tayayá Aqua Resort é democrática: há duas opções, dependendo do estilo do visitante. O cidadão comum vem pela PR-431, uma estrada pavimentada, porém sinuosa.
O cenário muda se você for ministro do STF, banqueiro, político ou advogado de uma gigante global dos alimentos. Neste caso, é possível simplesmente pousar num heliponto a poucos metros das hospedagens.
André Esteves, por exemplo, famoso sócio do BTG Pactual, foi filmado aproveitando essa facilidade em janeiro de 2023 — com direito a recepção pessoal do próprio ministro Dias Toffoli.
Mas caso o turista possua um jato executivo, será preciso ter um pouco de paciência. O Aeródromo Manacá, uma pista privada de mil metros, ainda está em construção e deve ficar pronto em 2027.
O check-in no Tayayá Aqua Resort é liberado a partir das 18h, pelo menos para os hóspedes dos apartamentos Aqua Luxo, a categoria mais acessível do complexo (preço da diária no verão para até quatro pessoas: R$ 1.740).
Nem sempre é possível garantir uma vaga na Vila Ecoview — uma área exclusiva, no topo de um morro, onde cada cota custa R$ 750 mil e é dividida entre 13 proprietários. Para quem não é cotista, as diárias giram em torno de R$ 1.200 por pessoa.
É ali que Toffoli encontra seu refúgio perfeito, longe dos tribunais. As casas têm três suítes, piscina particular, vista desimpedida para a represa e, talvez o mais importante, isolamento total.
Segundo uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a área usada pelo ministro não tem licença ambiental de operação, apenas autorização para construção. Mas detalhes técnicos não devem atrapalhar a contemplação da natureza.
O jantar, incluso na diária, é servido no restaurante Gran Tayayá, que funciona em sistema de buffet neste período de alta temporada.
Quem prefere um ambiente mais descontraído, e tem margem para um gasto extra, pode optar pela Praça da Lua. O centro gastronômico independente reúne pizzaria, hamburgueria e temakeria.
Um hambúrguer básico com fritas custa R$ 45. Os refrigerantes não saem por menos de R$ 9. Cervejas, drinks e vinhos têm preços a partir de R$ 15, R$ 49 e R$ 120, respectivamente.
Ainda sobre hidratação: as garrafinhas de água mineral custam R$ 6. Por isso, alguns visitantes mais experientes, principalmente com filhos pequenos, chegam ao hotel trazendo fardos inteiros na bagagem.
Devidamente alimentados, os hóspedes podem seguir para o cassino. Sim, o Tayayá possui um animado espaço noturno de jogatina para as almas mais aventureiras.
A administração afirma que as máquinas instaladas no local são de “raspadinha eletrônica” regulamentadas pelo governo do Paraná. Mas, segundo uma reportagem do site Metrópoles, também é possível jogar cartas valendo dinheiro por lá.
Quem não é chegado em apostas, ou não tem recursos para isso, vai se divertir apenas observando o movimento — e, se der sorte, talvez cruzar com algum artista, político ou figurão do mercado financeiro.
Em dezembro de 2025, Toffoli recebeu uma galeria de famosos em uma festa particular que inaugurou o centro de entretenimento adulto “tayayano”. A estrela maior do evento foi Ronaldo “Fenômeno”, agora jogador de pôquer.
O desjejum da manhã seguinte convida à reflexão. Entre tapiocas e ovos mexidos, é difícil não pensar em todos os personagens do noticiário que passaram pelo resort para se encontrar com Dias Toffoli.
Mas atenção: a lista é longa e o café pode esfriar. Por isso, não perca tempo e explore logo a represa — onde, segundo funcionários do hotel, o ministro costuma passear num barco reservado só para ele.
Para os hóspedes, o complexo oferece caiaques e pranchas de stand-up paddle sem custo adicional. Já os passeios motorizados são pagos à parte, e podem ultrapassar R$ 1 mil, dependendo da duração.
Outro alerta: não são raros os relatos de turistas que avistam jacarés nas águas da Chavantes. Na dúvida, opte pelas seis piscinas e os três “bares molhados” do complexo.
Aqueles que se acomodam à beira do lago, com tempo livre para a contemplação, podem voltar a organizar mentalmente a teia de conexões entre Dias Toffoli e figuras de destaque na imprensa.
Como Fabiano Zettel, pastor e cunhado de Daniel Vorcaro, ex-apresentador de programa de TV gospel e controlador do Banco Master. Em 2021, Zettel comprou parte da cota da família Toffoli no Tayayá por R$ 6,6 milhões.
Há quem diga que uma relação dessas deveria bastar para tirar o ministro da relatoria do caso Master no STF. Mas nem sempre as regras são rígidas como os horários de um buffet de hotel.
O check-out no Tayayá deve ser efetuado até às 15h (o chamado “horário estendido”, para que os visitantes aproveitem a piscina e o almoço antes de partir). Próxima parada: Ribeirão Claro.
O “tour Toffoli” se resume a uma volta pelo centro da cidade do Norte Pioneiro do Paraná. Depois de passear pela praça principal e conhecer a Igreja Matriz, é hora de conhecer o destino final: o Fórum Eleitoral.
Em 2018, o prédio recebeu o nome de Luiz Toffoli, pai do ministro — homenageado por sua “contribuição à Justiça Eleitoral”, embora não tenha exercido a magistratura ou ocupado qualquer cargo público.
O patriarca sequer nasceu em Ribeirão Claro. Natural de São Simão (SP), ele se estabeleu na vida adulta na já citada Marília.
A inauguração oficial do imóvel ocorreu no ano seguinte. O filho ilustre, que em 2017 já havia recebido o título de Cidadão Honorário do município, viajou em um avião da Força Aérea Brasileira para participar da solenidade (com uma comitiva de 20 pessoas).
Encerrada a jornada, fica uma sugestão de expansão do roteiro. Que tal dar um pulo até Marília, terra natal do ministro e berço da Maridt Participações, a bem-sucedida empresa dos irmãos do magistrado?
Segundo outra reportagem do Estadão, a companhia está registrada num endereço inusitado: uma casa simples, com pintura descascada, portão enferrujado e calçada quebrada — mais uma prova do jeitão despojado da família Toffoli.
Fonte: Gazeta do Povo
